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Campanhas de acordo: decisão jurídica ou estratégia de capital?
No contencioso de escala, o acordo não pode ser visto apenas como uma saída processual para desafogar a pauta ou encerrar casos isolados. Quando estruturadas com inteligência, as campanhas de acordo se transformam em uma verdadeira estratégia de capital, com impacto direto no resultado financeiro da empresa.
A lógica é clara: milhares de ações individuais, se mantidas até sentença, representam custos maiores, risco de condenações e incerteza no fluxo de caixa. Uma campanha de acordo bem planejada, por outro lado, antecipa soluções, gera previsibilidade e reduz de forma imediata o passivo judicial.
O sucesso desse modelo depende de alguns pilares fundamentais:
* Utilização de dados processuais para identificar clusters de demandas semelhantes e definir parâmetros de negociação.
* Estruturação de políticas uniformes, que garantem segurança jurídica e tratam casos repetitivos de forma padronizada.
* Implementação de modalidades inovadoras, como o leilão reverso de acordos, em que advogados ou consumidores apresentam propostas de composição e a empresa define parâmetros claros de aceitação, garantindo celeridade e economia.
* Alinhamento com o negócio, transformando decisões jurídicas em decisões financeiras estratégicas.
* Monitoramento por meio de KPIs claros, como economia gerada, redução da carteira e prazo médio de encerramento dos processos.
Com esse enfoque, as campanhas de acordo deixam de ser uma medida reativa para se tornarem uma ferramenta de governança. Elas permitem reduzir custos futuros, liberar provisões e direcionar recursos para áreas essenciais da empresa.
No fim, não estamos falando apenas de negociar valores. Estamos falando de gestão em escala, economia estruturada e fortalecimento da estratégia corporativa.
