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Crescer Conectado: Desafios e Cuidados no Mundo Digital das Crianças e Adolescentes

12 de maio de 2025

O avanço das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs) transformou profundamente a infância e a adolescência. Hoje, celulares, tablets e computadores fazem parte da rotina de milhões de jovens, oferecendo acesso a conhecimento, entretenimento e conexões sociais. Mas, junto com essas oportunidades, surgem riscos significativos — e a responsabilidade de famílias, educadores, empresas e autoridades públicas é cada vez mais urgente.

A série documental Adolescência, da Netflix, dá rosto e voz a esse cenário. Mostra como as redes sociais, os filtros e os algoritmos moldam comportamentos, ampliam inseguranças e, por vezes, colocam vidas em risco. Ansiedade, distorção da autoimagem, cyberbullying e desafios virais perigosos são apenas algumas das consequências da exposição intensa e desregulada ao ambiente digital.

Quando o tempo de tela ultrapassa os limites do saudável

Cada família tem sua própria realidade, mas uma verdade se impõe: a exposição precoce e exagerada às telas pode prejudicar o desenvolvimento cognitivo, emocional e físico das crianças. Especialistas alertam para riscos como sedentarismo, atraso na fala, distúrbios do sono, e quadros de depressão e ansiedade.

A Sociedade Brasileira de Pediatria e a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendam que crianças menores de 2 anos não sejam expostas às telas. A partir dessa idade, o uso deve ser gradual e sempre supervisionado. Mais importante que contar minutos de uso é garantir a qualidade do conteúdo e a presença ativa dos adultos na mediação digital.

Direitos Digitais em foco: o que protege crianças e adolescentes online

No Brasil, contamos com um arcabouço robusto de proteção, que inclui a Constituição Federal, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) e outras normas específicas como a Resolução nº 163 do CONANDA, que veda a publicidade abusiva voltada ao público infantil e a Lei de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying) (Lei nº 13.185/2015), que formaliza o Programa de Combate à Intimidação Sistemática, incluindo o bullying virtual ou cyberbullying.

Além disso, diversos projetos de lei buscam ampliar essas salvaguardas. Entre eles:

PL 2628/2022: exige verificação de idade e mecanismos de controle parental nas plataformas digitais;

PL 3161/2024: propõe o banimento da publicidade infantil abusiva online;

PL 4474/2024: traz mudanças no Marco Civil da Internet, ECA e LGPD para aumentar a segurança e a privacidade dos menores de idade.

Essas propostas refletem a crescente conscientização sobre os impactos da tecnologia na infância e a necessidade de marcos regulatórios mais eficazes.

Bem-estar digital: a chave está na mediação, não no bloqueio

Proteger não significa proibir. O bem-estar digital envolve muito mais do que restringir o uso: trata-se de desenvolver uma relação consciente e saudável com a tecnologia. Saber fazer pausas, escolher conteúdos de qualidade, refletir criticamente sobre o que se consome e interagir com responsabilidade. Nesse processo, a mediação ativa dos adultos é fundamental. Perguntar, conversar, assistir junto, incentivar o pensamento crítico — tudo isso ajuda mais do que o simples monitoramento.

Os riscos são reais e exigem atenção constante

O ambiente digital, embora fascinante, está repleto de armadilhas: conteúdos inadequados, exposição precoce à erotização, cyberbullying, desafios perigosos, tentativas de aliciamento, exploração sexual e coleta indevida de dados pessoais. É essencial que pais, responsáveis e professores saibam identificar sinais de alerta, mantenham o diálogo aberto e conheçam os canais de denúncia e apoio psicológico.

Entre riscos e oportunidades, o caminho é a educação digital

O mundo digital não é um vilão. Pelo contrário, pode ser uma poderosa ferramenta de aprendizagem, criatividade e inclusão. Para aproveitar esse potencial de forma segura, é preciso investir em educação midiática desde a infância. Crianças e adolescentes devem aprender não só a usar as ferramentas digitais, mas a compreendê-las, questioná-las e usá-las de maneira ética.

Dicas práticas para uma convivência digital mais segura e consciente

Famílias:

Evitem o uso de telas por bebês menores de 2 anos;

Supervisionem e acompanhem o conteúdo acessado pelos filhos;

Estimulem o diálogo e construam confiança para conversas sobre o ambiente digital;

Respeitem a privacidade das crianças e evitem o sharenting excessivo (exposição da vida dos filhos nas redes sociais).

Escolas e Educadores:

Trabalhem a educação digital de forma transversal e contínua;

Estabeleçam regras claras sobre o uso de celulares e redes sociais na escola;

Criem espaços de escuta para acolher experiências e dúvidas dos alunos;

Capacitem professores para lidar com os dilemas do mundo online.

Conclusão: o futuro digital é coletivo

Crescer no século XXI é crescer conectado. E garantir que essa conexão seja saudável, segura e positiva é uma tarefa compartilhada. As tecnologias continuarão evoluindo — nos cabe garantir que os valores de proteção, respeito e cuidado acompanhem esse ritmo.

A série Adolescência nos lembra que, por trás de cada tela, há uma história humana. Nos cabe garantir que essas histórias tenham desfechos felizes e seguros.