03 DE JULHO | DIA NACIONAL DE COMBATE À DISCRIMINAÇÃO RACIAL

A escravidão deixou um legado de marcas profundas em nossa sociedade, que culminaram na fixação de um racismo estrutural.

Essa condição social é facilmente identificada pelo pressuposto de submissão e inferioridade dos negros, seja pela explícita supressão de direitos, por força institucional e/ou pela errônea  presunção  de incapacidade intelectual, advinda não só de vulnerabilidade social e econômica.

É importante destacar, que mesmo após 132 anos de abolição da escravatura no Brasil, a população negra ainda sofre com muitas desigualdades, vez que perfaz a maioria da população alocada nas periferias e nos cárceres,  marginalizados e, sem acesso a direitos básicos, tais como boa saúde e educação.

Muito embora, caminhemos para a eliminação dos resquícios do regime escravocrata – o qual, diga-se de passagem, jamais deixou de subsistir em sua essência – vemos que persiste a naturalização da manutenção da segregação e inferiorização das pessoas, com base única e exclusiva, no elemento “cor da pele”.

E isso se dá, majoritariamente, por omissão do Estado, pela ausência de políticas públicas a fim de reparar os danos pós-abolição, e pela falta de ações para  coibir a propagação do racismo e seu entranhamento em todos os âmbitos da sociedade.


Invariavelmente, há um estigma, que insiste em classificar que pessoas negras possuem um lugar definido no mercado de trabalho, que se limitariam a funções de servidão.

Tanto é, que contrariando as estatísticas impostas pela sociedade, após transpor barreiras, que se sobrepõem muito além de questões meritocráticas, como advogada negra, advinda da periferia, personifico uma exceção.

E, ainda assim, corriqueiramente, no exercício da profissão, desperto olhares céticos e curiosos acerca da minha presença em locais, predominantemente, ocupados por pessoas brancas. E, isso, sem dúvidas, não pode ser visto como algo  natural e/ou aceitável!

Infelizmente, negros ainda somam apenas 1% dos advogados associados a grandes escritórios.

Desta forma, precisamos ressignificar e ir além da sub-representatividade de profissionais negros nas bancas de advocacia, precisamos, urgentemente, ampliar a presença da diversidade racial. 

Há uma necessidade gritante de quebrarmos as estruturas discriminatórias, para que sejam afastados os padrões eurocêntricos e que possamos enxergar a pluralidade de cores do nosso país, propiciando a identidade de acesso a direitos e oportunidades.

Por isso, o dia nacional de combate à discriminação racial se faz tão importante.

Ocasião em que lhes convido à reflexão, para que possamos nos sensibilizar, de fato, ao oferecimento de oportunidades em nível de igualdade e, mais do que isso, que possamos iniciar movimentações transformadoras, a fim de desmistificarmos os estereótipos raciais que, ainda, carregamos, mesmo que inconscientemente e, possamos enxergar novos potenciais, sem que a cor da pele seja um fator de exclusão.  Pois, com toda certeza, juntos, conquistaremos a tão necessária equidade racial.


POR LENITA CAMARGO

Trabalhista

(11) 3185-0235

lcamargo@viseu.com.br

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